Estive lá.
Menina de rosto cheio,
olhar vivo, loira trança,
cheia de sonho e de esperança,
e sob o tímido seio,
rejubilando o futuro,
batia o coração puro.
Estive lá !
Era Abril e Liberdade,
dos cravos revolução,
alegria, felicidade,
final da guerra, emoção!
Cantava o meu país novo,
também eu na flor da idade!
Meus poemas? São tão antigos!
Singelos degraus, velhinhos musgos, os meus versos.
E eu vou subindo na vida, passo a passo,
a soletrar teu nome enquanto é tempo,
não vá faltar-me o fôlego pr'a te cantar.
Meus sonhos? Trepadeiras azuis!
Da cor das hortênsias e dos jacintos,
dos riachos, dos lagos e dos mares...
E eu vou sonhando, noite e dia,
a escrever teu nome enquanto é tempo,
não vá faltar-me a voz pr'a te inventar.
Porque tu sabes, meu AMOR, eu sei que sabes,
os meus poemas
são esta mescla de pedras e de azuis!
São tantos____________________,como as marés,
e no entanto, qual Oceano___________ apenas um,
_______________________________ apenas tu!
Não saberia dizer-te dos meus olhos.
Da sua cor roubada às folhas outonais,
ao mar alto, ao vento breve... horas finais
dos dias que me vestiam de folhos.
Não saberia contar-te de que falam
as íris esquecidas dos poemas meus;
pequenas as janelas que se alargam
no secreto horizonte dos olhos teus.
As palavras nos meus olhos são intrigantes,
mistérios que poucas almas reconhecem;
são palavras de malas feitas, emigrantes,
prontas p'ra seguir quem as merecem.
O que dizem os meus olhos? Nem eu sei...
Que sou barco, que sou vela, que ao mar me dei?
O que dizem os meus olhos?Nem eu sei!
Despeço-me do dia, do jardim, das fadas
do silêncio da noite, do temor, dos medos...
e digo olá à madrugada e digo olá á madrugada!
Nascem palavras sob os meus dedos.
São sempre iguais estas mãos calejadas, feridas, escravizadas pela escrita!
Ás vezes frias, às vezes mortas..
Endurecidas pela dor, cansadas de bater a tantas portas!
Por vezes meigas, doces, abençoadas,suavizadas pela esperança,
São sempre as mesmas, as minhas mãos ,reescrevendo poemas, exorcizando a desdita.
Minhas mãos Mulher,minhas mãos Paixão,minhas mãos Ternura, meu Ser criança.
Despeço-me do dia, da azáfama, do calor,
da partilha da noite,em que meu sonhar relembro...
e digo olá à madrugada. Olá Luar! Olá Amor!
Sem palavras. Não, não insistas, não digas nada! Imagina apenas que folheias as páginas deste livro com o toque alvo e puro do meu vestido de brocado. Sem palavras. Limita-te a caminhar na berma azul e silenciosa da madrugada , até que chegue a hora em que os pássaros abandonam a ramagem das acácias. Sem mais palavras do que aquelas que fazem eco nas águas quietas do coração.
Contigo sou de novo o mar e a onda
e ainda a gaivota sobrevoando a azenha,
pousando suavemente sobre o penedo do Guincho.
Agora a paz dos dias e das palavras
e o calor da tua mão presa na minha escrita.
Há, eu sei, uma tepidez doce nas tuas mãos, sabias?
Como se trouxesses sempre contigo
o Sol dos instantes domingueiros,
a languidez da charneca alentejana,
algumas conchas que adormeceram no areal,
as palavras adivinhadas no silêncio.
Contigo aprendo a voar,
a enterrar receios na pedra dura dos rochedos,
a inventar palavras que te intrigam,
porque os meus textos há muito que esqueceram a transparência das águas.
Os outros, os amigos, os alegres,
ficam no cais
presos a copos de cerveja
e a conversas ligeiras.
Nada sabem das coisas que nos dizemos no silêncio,
porque há muito que esqueceram
as palavras do amor e do sentir.
Para os outros, os amigos, os alegres,
uma gaivota é uma gaivota, porque sim.
O mar tem as marés que sempre teve
e o amor é um vocábulo gasto,
guardado no velho alfarrábio,
esquecido numa caixa de cartão
entre fotografias de casamentos e baptizados,
rostos jovens que o tempo desbotou e amareleceu.
Nada sabem daquilo que os nossos olhos vêem escrito na brisa.
Ignoram os desenhos das nuvens,
os segredos de uma noite sob as estrelas,
a linguagem dos pássaros e das fases lunares.
Os outros, os amigos, tombam de sono,
esvaziam mais um copo, ou mais outro para o caminho
em noites já vazias de sonho
enquanto as suas mulheres assistem a telenovelas
e choram em silêncio
por já não saberem dizer "amo-te".
As suas mulheres engordam na solidão
de noites inteiras comendo chocolate
e vão lambendo os dedos de unhas estragadas pelos
esfregões da cozinha.
Nas telenovelas, as actrizes são belas e jovens,
os actores possuem olhos sedutores,
dizem palavras que elas nunca ouvirão.
As mulheres dos amigos, dos alegres,
são as mulheres dos amigos, as tristes.
Perderam as asas, esqueceram o luar.
Há, eu sei, uma tepidez doce nas tuas mãos, sabias?
E eu poderei sempre dizer que amo
e que serei eternamente o mar, a onda e ainda a gaivota sobrevoando a azenha.
Isto não é um poema.
Procuro agora no papel amarelecido
a brancura dos sonhos de um tempo que me morreu.
O vento traz-me os rugidos do mar
e todos os meus medos envoltos na bruma
de noites sem estrelas.
Não sei se tenho frio
se queimo por dentro
se morro de sede
não sei.
Pareciam tão fáceis as quimeras
as palavras enfeitadas de jasmim
a alegria a fé a confiança.
Era linda menina e moça e mulher
de olhos vivos e alma cheia.
Mas sorria e chorava.
Vivia e morria a cada sonho.
Não me sabia nunca me soube.
Agradava porque queria agradar e ser perfeita
como os modelos das mulheres mais velhas
que cozinhavam e limpavam e bordavam
nas estampas dos livros que me deram.
Mas eu sou eu sempre fui diferente.
Pegava nas folhas em branco
e escrevia as vidas que não vivia.
Sonhadora misteriosa poetisa.
Aprendiza do amor e das paixões.
Hoje tremo de medo e não sei ainda como exorcizar os espectros.
Caminho na fluidez dos dias procurando rir.
Dizem que a terapia do riso nos cura de todos os males.
Em meu redor todos parecem tranquilos e felizes
como se a felicidade fosse um bem garantido.
Um bem garantido.
O vento rompe o silêncio e eu só quero fechar os olhos e dormir.
quarta-feira, agosto 31, 2011
Não sei se sou casa aberta para o mar,
se barco à deriva sobre a onda.
Serei talvez a água em que se diluem as palavras,
o sal da lágrima,
a brisa leve embalando o silêncio.
Volto como quem regressa da noite dos tempos, numa jangada feita de palavras cruzadas.Volto como quem regressa de uma longa viagem, com uma mala cheia de livros e muitos postais por escrever.
É sempre na ausência que reencontro a escrita., pois se as minhas palavras apenas sabem nascer nos intervalos equidistantes do silêncio.
E há uma longa planície feita de águas e de espera onde pequenos nenúfares são poemas de saudade.
Há dezassete anos atrás, a 13 de maio, soube que ia de novo ser mãe.
Já tinha dois filhos lindos, mas, por ser no dia de Nossa Senhora de Fátima, sempre acreditei que irias nascer menina. Só tive a certeza quando fiz uma das últimas ecografias e o médico me disse: - Já tem dois rapazes, não é? Pois agora vai ter uma menina. Parabéns. Lembro-me de não ter dito nada e que, na minha cabeça, apenas uma palavra soava com alegria: uma filha ! Uma filha!
Chegaste logo a seguir ao Natal, no anunciar do ano novo de 1993, como uma prendinha do céu. Chegaste como uma flor bonita, uma rosa brotando no inverno, no dia de Nossa Senhora das Rosas e até hoje nunca deixaste de perfumar os meus dias.
Ia dizer-te que foi ontem que nasceste, filha. Mas foi já há 17 anos . O tempo passa e nós já passámos por tantas coisas juntas! Do melhor e do pior, com muitos sorrisos, muitos abraços, algumas lágrimas, alguns desentendimentos... É a vida!, como tu costumas dizer.
Sei que não é fácil crescer e chego a surpreender-me com a rapidez com que te tens feito mulher. Daqui por um ano serás adulta; novos caminhos se abrirão para ti e eu não posso prometer-te que serão fáceis. A única promessa que te posso fazer é a de que sempre estarei aqui para ti, que ficarei sempre do teu lado e que te darei pistas para o caminho. No entanto, nunca poderei fazer esse caminho por ti. Nem o faria nunca ainda que pudesse, pois quero que sejas a pessoa que tu desejas ser, que sigas os teus sonhos, que vivas com Amor e Liberdade.
Neste dia, do 17º aniversário, quero dar-te um abraço longo e tranquilo como um rio e quero dizer-te que te amo muito. Quanto ? Do tamanho do mundo, do ir ao céu e voltar.
Nasceste hoje e, por seres pequenino, queria dizer-te meia de dúzia de coisas que sei. Coisas que sei porque já ando por cá há muito tempo. Porque já vi nascer muitos como tu, sei bem o que esperam de ti. Querem que tragas Paz, Saúde, Amor, Alegria, Luz, Harmonia... e até o primeiro prémio da Lotaria para todos. Querem que resolvas a crise, que faças baixar os impostos, que cries empregos, que acabes com as guerras, que cures as pandemias, que realizes todos os sonhos, que reúnas as almas gémeas... Nem queiras saber o que esperam de ti! Nasceste hoje, no meio de festas,de espumante, de passas, de palmas, de beijos ,de abraços e de fogos de artifício ! E todos te anunciam boas resoluções. Que vão deixar de fumar e de beber. Que vão ser mais generosos. Que vão ser mais compassivos. Que serão pessoas melhores e mais justas. Que vão lutar pela Paz e pela sanação do mundo. Mas não te iludas. Já ando por aqui há muito tempo. Já vi nascer muitos como tu. Daqui por uns dias já os homens se esqueceram de ti e das promessas que fizeram. Tu vais crescer dia a dia, semana a semana, mês a mês. E daqui por doze meses serás velhinho e todos irão culpar-te pelas suas misérias, aguardando com fanfarras a chegada de outro que, se não for melhor, que seja pelo menos como tu. Até lá, e porque és tão novinho, desejo-te Sorte e... Esperança ! porque a Esperança é a última a morrer.
Para todos os visitantes do blog, amigos, familiares e, muito particularmente,para todos os habitantes da Região Oeste, meus conterrâneos, que o Ano Novo seja um tempo de Reconstrução e de renovada Esperança.
Abalados pelo susto e pelos estragos da passagem do ciclone, o nosso Natal de 2009 ficará gravado para sempre na nossa memória colectiva, mas damos Graças a Deus por estarmos vivos e, como sempre, teremos força e coragem para continuar a trabalhar,para ajudar,para replantar e para voltar a sorrir.
Um muito Feliz Ano de 2010 para todos é o que vos desejo!
Novembro foi um mês de muito trabalho e Dezembro surpreendeu-me com uma constipação forte. Para compor o ramalhete, ao pintar uma divisão da casa, dei um mau jeito e fiquei com um problema lombar que me tem mantido quase imobilizada. Para quem gosta de "andar sempre a mexer e a inventar", tem sido um suplício, sobretudo porque atrasei todos os preparativos de Natal. Entretanto, tenho agora uns dias de férias para aproveitar ao máximo, nem que seja de muletas :) .
Obrigada a todos os amigos e amigas que passaram por aqui e deixaram uma palavrinha. Logo que tenha um pouco mais de disposição física e um pouco mais de tempo livre, voltarei a visitar os vossos recantos, fontes da minha alegria.