domingo, novembro 01, 2009

Destino





Levo na alma as penas dos meus sonhos deplumados,
a gaivota ferida, a erosão das falésias das quimeras . Desilusão.

Levo na alma a casa que não tive mais o jardim de
hortênsias que perdi, a voz que me morreu.O Tempo.

Levo na alma os olhos que desenhei nas crateras lunares,
a voz e o sorriso que lhe inventei . A Noite.

Levo na alma as horas que esperei, os dias que contei,
a luz que se apagou. A Morte.

Levo na alma as promessas efémeras das borboletas,
alguns números ocultos e os segredos das letras que escrevi. Destino.

Mas porque é Domingo e chove,
deixarei as lágrimas dos dias escorrendo pela vidraça.
.
.
.

sábado, outubro 31, 2009

Convite


Bom fim-de-semana!


O calendário diz-nos que estamos no Outono. Está na hora de voltarmos a tomar chá no meu cantinho.

quinta-feira, outubro 22, 2009

Nós temos dias


Para a Maria P., em resposta a um seu comentário




Temos dias, Maria, temos dias...
Dias de Sol, dias de riso,
dias de amuo, dias de siso,
Pois é, Maria, nós temos dias.

Culpa da Lua, das suas fases,
culpa do corpo e seus segredos,
culpa do tempo e suas tenazes,
se também temos nossos medos.

Temos dias, Maria, temos dias...
Dias de Sonho, dias de Amor,
dias de raiva e até de dor!
Pois é , Maria, nós temos dias.

É deste vento que arrasta a mente,
deste vulcão que nos aquece,
do grande mar quando arrefece...
E o peito é frio, o seio é quente.

Temos dias, Maria,nós temos dias...

E temos noites compridas,luminosas ! belas!...
E temos noites despidas,apagadas velas.

Também temos noites, Maria, não apenas dias.

quarta-feira, outubro 21, 2009

Uma pergunta

De quando em vez, surge-me esta dúvida:

Se formos criados dentro de uma redoma, amados, resguardados,protegidos... em que é que isso nos transformará?

Em anjos ou em anjinhos ?

DIA DO POETA 20 de Outubro



A todos os poetas, grandes poetas, pequenos poetas,poetas mortos, poetas vivos, aspirantes a poetas , amantes e amigos de poetas, a minha homenagem, neste Dia do Poeta.



" Ó subalimentados do sonho, a Poesia é para comer!"

Natália Correia


segunda-feira, outubro 19, 2009

Retrato

Porque apetece levantar o véu...


Perdes-te nos contos, mulher,
nos círculos intemporais dos sonhos,
e acordas envolta numa espiral de lendas.

Era uma vez... o teu olhar, mulher, a tua voz.

Era uma uma vez, uma hera no jardim da casa grande.
O teu recanto, o teu refúgio, a legenda da tua meninice.

Perdes-te nos poemas, mulher,
nos segredos sussurrados entre parênteses,
e acordas envolta num xaile negro de saudade.

Era uma vez... a tua alma, mulher, teu coração.

Era uma vez, um terraço longo, imenso, sobre a cidade.
O teu castelo, o teu farol, a tua torre,o teu forte de mulher!

Perdes-te no silêncio,mulher,
nos diálogos em surdina que povoam a tua mente,
e acordas cantando no papel misteriosas rimas.

Mais uma vez, mulher. Só mais uma vez.
Abre a janela, mulher, e voa nesse céu aberto!

Gaivota sem norte te chamaram um dia
e o teu mar, mulher, é já ali.



Porque sim!



Quando o Inverno chegar,
sei que não irei inventar marés
nas veias frias e caladas do meu peito.

Quando o Inverno chegar,
sei que não irei inventar laços
nas cordas desfiadas dos sentidos.

Quando o Inverno chegar...

Quando o Inverno chegar
e os ninhos das andorinhas
chorarem de saudade
no beiral do meu telhado,
sei que não irei cantar o Sol
no reflexo prateado das minhas luas.

Por isso vivo o hoje, o agora, o já!,
enquanto há mar e luz e força e garra!

Quando o Inverno chegar...

Quando o Inverno chegar
sei que não irei amar o nome
nas páginas amarelecidas do lamento.

Quando o Inverno chegar
sei que não irei encontrar o caminho
nas pedras desgastadas pelo tempo.

Quando o Inverno chegar...

Por isso vivo o hoje, o agora, o já!,
enquanto há mar e luz e força e garra!

Por isso gritarei sempre não e não!
Por isso lutarei sempre, porque sim!

Enquanto houver mar e luz e força ...
e Amor em mim!






quinta-feira, outubro 15, 2009

A deusa


Quando penetrares na negra opacidade destes pequenos símbolos aos quais uns chamam palavras e outros vocábulos, por meras questões de nomenclatura obviamente, e neles te releres, nem que seja apenas um pouco, na breve duração deste instante onírico, poderei enfim dizer que o poema cumpriu o seu destino.

Até lá viverei cantando o mar em versos delicados,
sussurrando rimas às corolas dos antúrios,
tecendo quadras onde os gestos se ausentaram.

Alguém virá de longe para me dizer como sou ingénua e naive.

Quando penetrares
na vasta mescla desta meada de sentires,
aos quais alguns apelidam de sonhos e outros de quimeras,
por meras questões de nomenclatura,
e nela descobrires o fio condutor do meu dizer,
nem que seja apenas uma linha ou a leveza breve de um signo,
poderei então dizer que o coração encontrou enfim o seu destino.

Até lá viverei cantando a deusa que por Apolo renasceu da pedra.


sábado, outubro 10, 2009

O poeta e os demais



Quando um poeta escreve,
não escreve apenas com a mão,
com o punho.

Na verdade,
um poeta não escreve como as demais pessoas.
Um poeta escreve principalmente
com a alma liquefeita que lhe corre nas veias.
Os demais escrevem o que sentem,
o que vêem, o que cheiram,
o que provam, o que palpam.

Um poeta emociona-se. Escreve. E ponto.

Os demais amam e escrevem cartas de amor
que cheiram a violeta ou a jasmim.
Escrevem cartas e rasgam-nas,
deitam-lhes fogo,
lançam os pedaços de papel
aos quatro ventos, quando deixam de amar.
Os demais.

Um poeta apaixona-se. Um poeta sofre. Escreve. E ponto.

Os demais descrevem, narram,
traduzem, argumentam,
contrapõem,
quando escrevem.

Um poeta vibra. Escreve. E ponto.

Usam canetas de tinta permanente,
corrector especial,
papel de boa marca,
os demais, quando escrevem.

Um poeta só quer escrever. Escreve. E ponto.

Com velhos lápis,
esferográficas roídas,
no canto da toalha,
no lenço de papel,
na fralda da camisa,
no tampo da mesa,
na parede gasta,
na vela do barco...

Os demais escrevem sempre para alguém.
Para quem amam.
Para quem estimam.
Para quem respeitam.
Para quem odeiam.
Para o chefe.
Para a secretária.
Para o Senhor Presidente da República.
Para o encarregado das obras de reconstrução
da velha mansão da herdade dos cardos.
Para a mãe que não vêem há três anos
e de quem têm saudades.
Para a filha que se esqueceu
de levar a caixinha de pílulas Minigeste
quando foi de férias com o namorado para a Costa da Caparica.
Para o tipo que se está nas tintas
para a qualidade das tintas
que lhe vendeu quando o patrão o despediu e
deu meia dúzia de latas a cada empregado
em pagamento do décimo terceiro mês.
Escrevem sempre, os demais, para alguém.

Um poeta escreve para o mar,
para o céu, para as nuvens,
para o vento, para o fogo,
para o sol, para as estrelas.

Um poeta escreve pela paz,
pela igualdade,
pela justiça,
pela liberdade,
pelo Amor,
pela Terra,
pelos demais.

Sim. Um poeta escreve pelos demais.

Um poeta é poeta. E escreve. E ponto.

Mas um poeta também vive
e sacrifica-se
e passa mal
e tem doenças
e sofre
e geme
e grita
e morre
como os demais.

Um poeta morre como todos os demais.

No entanto, quando um pobre poeta morre, os demais ficam mais pobres.




segunda-feira, outubro 05, 2009

Primeiras chuvas


Deixar que o tempo se recolha
entre as velhas paredes de pedra e cal
e permanecer no silêncio
apenas ouvindo a respiração da chuva.

E se houver vozes,
que importam as vozes ?

E se houver risos,
que importam os risos?

Sob a pele da terra
agitam-se correntes secretas de rios
como mãos ansiosas que se buscam .

Sob a pele da terra
a chuva transforma-se em metáforas de anil .

E se houver gente,
que importa a gente?

E se houver gritos,
que importam os gritos?

Há que deixar que tudo permaneça no silêncio;
que o gato se aquiete no tapete,
que o caldo arrefeça sobre a mesa,
que os copos se derramem,
que as chamas se desvaneçam na fogueira...

Pois esta é a hora das primeiras chuvas,
a hora sagrada entre todas as horas sagradas!

Pois esta é a hora das primeiras águas,
o momento alfa, o instante mágico!

Sob a pele da terra
renasce a emoção.





sexta-feira, outubro 02, 2009

Por estes dias...


Por estes dias, o mar deixará de ser presença , as marés guardarão para si todos os segredos das águas profundas enquanto o poeta escreverá de cor as rimas com que amou um dia.



Por estes dias descerão sobre a terra as últimas flores das janelas como almas que se despedem do Verão e todos nós seremos folhas caídas até á próxima Primavera.


Por estes dias, alguém andará escrevendo nas margens da vida aquilo que não viveu, inventando quimeras a cada mudança de Lua.



Por este dias, há-de nascer o Joãozinho e na casa da Mãe Susana, do Pai João e da Mana Margarida será Natal antecipado.





quinta-feira, setembro 17, 2009

Poema sem palavras


imagem Worldpress

Poema sem palavras.

Enquanto os meninos não puderem ser como as flores: às cores !



quarta-feira, setembro 16, 2009

O meu filhote do meio faz hoje anos!!!!!! Viva!!!!

Parabéns, JOÃO, pelo teu 28º Aniversário !

Desejo-te um Dia muito Feliz,
Saúde, Sorte, Paz , Amor e a Realização de todos os teus Sonhos !
És um filho adorado,
contigo perto, há sempre Alegria
e eu tenho muito orgulho em ter sido escolhida para
ser tua Mãe.
Que Deus te abençoe, sempre!

A tua Mãe, que muito te ama,

Tila






O Joãozinho bébé, num passeio à Galiza.


Sonhando com as estrelas...

Salvé o dia 16 de Setembro !

Podem visitar o blog do João aqui.





terça-feira, setembro 15, 2009

Paleta



Não sabias de que cor pintar o mundo.
Nem com que tintas.

Pensaste colori-lo de vermelho escarlate.
Esse das papoilas abertas nos trigais da tua infância.
Talvez o encarnado de acetinadas babuscas
percorrendo, silenciosas, as tendas do deserto,
ornadas de desejo e de paixão.

O teu mundo brilhante
pincelado a tinta de esmalte.

Mas depois pensaste melhor.
Achaste que sentirias a falta
do branco leve da nuvem,
do radioso amarelo do Sol,
do verde dos campos,
do turquesa dos mares do sul e...
até do negro com que tantas vezes
te apetece pintar as noites.

Não sabias de que cor pintar o mundo.
Nem com que tintas.
Talvez por ele parecer a teus olhos
demasiado sombrio,
demasiado pálido para ter consistência,
demasiado sensaborão,
demasiado diluído e aguarelesco.

Queria-lo a um tempo intenso e belo
como as coroas imperiais ou os antúrios das ilhas.
Querias que o teu mundo tivesse
as cores e os sabores do fruto-da-paixão
a fim de saciares a tua fome de Absoluto.

E assim ficaste ali,
sobre a colina,
encostada ao cavalete da vida,
a mordiscar a dúvida na ponta do teu pincel.

Nem reparaste na gaivota,
que te roubou as cores da paleta com a ponta da asa
e daí saiu voando,
enquanto deixava no céu do teu mundo
um rasto de arco-íris.


Poema reescrito a partir de um texto meu de Agosto de 2000







domingo, setembro 13, 2009

Soneto - Outono


Vazia agora está a cadeira do Poeta,
douradas folhas já a cobrem no terraço,
e docemente chora a chuva nesse espaço
onde a Poesia tinha Musa predilecta.

Num ramo fino, ali canta uma avezinha,
no desatino, a melodia sobe aos céus,
final do Verão e já Outono se avizinha,
mas inda há esperança no piar dos cantos seus.

E se o Poeta deixou versos espalhados,
a pobrezinha recolhe-os com mil cuidados,
pelas margens do ribeiro suave e terno.

No seu bico guarda o mais doce refrão,
que a alimenta e lhe aquece o coração
como se fora um lírio sob a terra no Inverno.


sábado, setembro 12, 2009

Sabedoria



Deveria ser-nos dada a possibilidade de nascermos de novo ou de voltarmos atrás no tempo, sempre que nos apetecesse.

No dia do nosso aniversário, por exemplo, reuniríamos familiares e amigos e diríamos:

- Hoje faço de novo 20 anos!

E de imediato os ponteiros dos relógios rodariam em sentido contrário a uma velocidade vertiginosa.

Á medida que o tempo recuasse desapareceriam a pouco e pouco os cabelos brancos, as rugas, as deformações das articulações, a hipertensão, a diabetes, o cancro da próstata, a doença de Alzheimer e todas as demais maleitas que nos possam afligir com a idade.

A pele tornar-se-ia mais clara, mais brilhante, mais flexível e os nossos pulmões respirariam com maior facilidade.

De olhar brilhante, sorriríamos com todos os nossos dentes imaculadamente brancos e o nosso hálito seria fresco e perfumado como a hortelã-pimenta.

Apenas guardaríamos a sabedoria adquirida ao longo dos anos e todas as nossas lições de vida, que são muitas e importantes demais para serem esquecidas, mas que de pouco nos valem quando o nosso tempo de existência encurta a cada ano.

Quando se chega à meia-idade, de quase nada nos serve já saber-se muita coisa, porque a vida transformou-se em rotina e qualquer um de nós pode adivinhar de véspera o que nos acontecerá no dia seguinte,como se todos fossemos bruxos ou astrólogos ou numerólogos ou cartomantes ou tarólogos ou videntes.

É evidente que as lições de vida seriam mais importantes se o tempo recuasse e nos desse uma segunda, terceira, quarta ou mesmo quinta oportunidade.

Gostaria que o tempo voltasse para trás, como cantava o Tony de Matos quando eu era menina , ele que por acaso era o cantor galã favorito da minha mãe.

Era ele que também dizia que “o destino marca a hora pela vida fora, quem havia de dizer?”.

A minha mãe nunca me disse que o tempo voava.

Nem nunca me falou de escolhas, porque também a mãe dela se esquecera de a avisar.

Ensinou-me tudo o que uma mãe ensina a uma filha e tudo o que ela deve levar no
enxoval menos a questão da idade e do tempo.

Mas eu deveria ter dado ouvidos ao que o seu cantor preferido cantava,pois logo ficaria a saber que o tempo não volta para trás nem nos dá aquilo que perdemos.

E acrescento que se o destino marca a hora, há destinos que nunca passam de desencontros e que o meu raramente me marcou a hora certa no sítio certo com a pessoa certa e que, mesmo quando isso esteve prestes a acontecer, houve sempre algum quiproquó pelo meio para estragar a festa.

Assim, se pudesse, guardaria, apesar de tudo as lições de vida para não voltar a ficar presa na armadilha do tempo. Mas adiante…

Se voltássemos a ter 20 anos recordaríamos todos as más escolhas ou escolhas erradas ou ainda as escolhas que não fomos nós a escolher porque fomos débeis
ou medrosos ou inseguros e deixámos que fossem outros a escolher por nós.

Recordaríamos as pessoas que amámos enquanto filhos, pais, padrinhos, afilhados, netos, tios, primos, vizinhos, amigos, namorados, amantes ou esposos.
Recordaríamos as pessoas que não soubemos amar ou que amámos mal
ou que amámos pouco ou até demais.

Recordaríamos os momentos em que nos apeteceu dizer “amo-te” ou “quero-te”
mas não dissemos “amo-te” ou “quero-te” por pudor, por medo, por estupidez,
por insegurança ou por outro motivo qualquer decerto menos importante que o amor.

Se renascêssemos com 20 anos com a sabedoria dos 50, seríamos talvez mais felizes.

Ou não.Porque aos 50 anos, ainda se sabe tão pouco da vida.

sexta-feira, setembro 11, 2009

A minha letra


Amo a minha letra.

Com ela escrevo o meu nome ,
as palavras carinho e coração,
a cor do céu e o caminho.

A minha letra é também a de Colombo,
de Camões, de Corneille e até de Cristo;
usa-se em coragem e em ciúme,
podendo ainda ler-se em crime e em castigo.

A minha letra é a sorte anunciada da capicua,
desenha-se no hermetismo do círculo,
é o carro veloz e o caracol,
introduz cantiga e canção.

A minha letra é chocolate e é café,
comida quente e fofa cama,
a minha letra é o cê,
está em cereja e em você.

Clotilde, Cláudia e Cláudio, Cândida,Celeste,
Carla , Carlos e até Carlota ...
Carmo, Cármen,Cristina e Cesaltina...
tantos os nomes que a minha letra inicia.

A minha letra é mar , farol e ilha,
carinhosa e doce como a Catarina,
a menina que escolheu ser minha filha!







quarta-feira, setembro 09, 2009

Regresso


Ilha de Armona no Parque Natural da Ria Formosa (foto Google)



Regresso agora de alma verde
e gestos suaves como os das gaivotas sobrevoando a ilha.

Deixei na praia as telas que pintei
e pequenos sonhos esboçados no areal.


Mas trago os risos das crianças
desfiando algas na subida das marés
e ainda todos os lugares que visitei.

Recônditos caminhos feitos de palavras revisitadas.
E também de palavras não ditas, apenas adivinhadas
nos sorrisos e nos gestos.
Verão. Férias.
Alegria.
Amor, beleza, estrela e harmonia.
A ria, o mar, a pesca e o farol.
A lua cheia.
Um espelho de prata.
O Sol em fogo.
E a roda de amigos!


Regresso agora de alma cheia
e um rosário de conchas recolhidas em silêncio.

Porque é sempre no silêncio que me procuro,
me encontro e reencontro para me voltar a perder.

Regresso agora à casa e aos livros.
Aos dias e às noites que tão bem conheço.

Deixei na praia os versos que criei,
pequenas notas de solfejo murmuradas ao luar.

Mas trago os beijos e os braços acenando adeus no cais
e ainda a voz do vento sussurrante no ouvido.

Na pele guardo todos os sóis de um verão ardente
e meu coração é uma ilha de emoções,
onde há mar e céu e céu e mar !

Meus olhos são agora azuis de tanto mar.
Meus olhos são agora luz de tanto céu.















terça-feira, agosto 25, 2009


Não, amigos. Eu não fugi nem me zanguei com ninguém. O portátil é que, por falta de memória, coitadinho, decidiu avariar e não arrancar no Windows. Está hospitalizado a ver se melhora. Como lá na praia não tenho outro meio, fiquei "exilada" do mundo dos blogs.

Vim a casa e aproveitei para vos avisar de que vou continuar ausente, sem net, por mais uns tempinhos.

Obrigada pelas vossas visitas e comentários.

Desejo-vos continuação de dias felizes,

Clo

sábado, agosto 15, 2009

As horas

Sunday Paper, Steven Lanvin
Para os nossos filhos:
O relógio de parede dá-te os segundos, os minutos e as horas.
Deste modo, ritmado e lento, vais contando os dias e as longas noites brancas
em que nada mais te é ofertado a não ser o imenso tempo da espera.
Diz-te o jornal que é domingo e que há gente que se veste de azul
e passeia no parque depois da missa para logo depois ir almoçar em família.
Também te diz o jornal que o mundo está cheio de mulheres bonitas e pulposas,
macias como os pêssegos que a vizinha te trouxe para a merenda.
E diz-te ainda o jornal que há carros mais velozes que o vento,
barcos que flutuam leves sobre águas turquezas , areias quentes,
e ainda que há certos relógios que te custariam dois anos de salário,
se tivesses salário,
se precisasses de saber a que horas andas.
Mas o que te sobra na vida são os segundos, os minutos e as horas
que o teu relógio de parede já te oferece de graça.
E diz-te ainda o jornal que o mundo está em crise,
que a sustentabilidade do planeta corre graves riscos,
que é tudo por culpa do sistema, da macroeconomia,
da microeconomia, do consumismo, do sobrendividamento,
da densidade demográfica, da falta de activos, do aumento da esperança de vida...
Mas que esperança, fonix? ,pensas tu, ... que vida?
Dizem que pertences à geração rasca.
Dizem...
No jornal.
E o relógio vai-te dando, de graça,
tic tic
tic tac
tic tic
tic tac
as horas de espera
tic tic
tic tac
em que tu desesperas.
Porque há tipos, que se fossem relógios, nem as horas davam !