sexta-feira, outubro 26, 2007



A Lua Cheia
iluminou as nuvens esta noite.
E o céu fez-se
manta de brocado.

Roubada ao Sol.
A Luz.
Furto cintilante.

sábado, março 24, 2007

Dor azul

Tinha esquecido
que a nostalgia
é uma ferida interna.
Mal incurável.
Dor peregrina. Vai e volta.
Vai e volta.
Vai e volta.

Tinha esquecido que o azul
é um reflexo de céu triste
no oceano profundo.

O ponto de tangência entre a lágrima e o soluço.

quinta-feira, março 22, 2007

Veneza


Veneza
Misteriosa, terna princesa
de mármore vestida,
sussurrante,
voz de antigas pedras medievais.

Circula-te o sangue, Veneza,
nessas veias latejantes
que são tão teus muitos canais.
Quantas secretas paixões
gemidas nos violinos
aí na Praça de São de Marcos!

Quantas breves emoções
cantam belos gondoleiros
embalando-me em seus barcos!

Ai, que saudades , Veneza,
das ruelas e das pontes
desses brilhos de Murano...

Deixa que chore a tristeza,
na ausência de tuas fontes
e do bel canto italiano!

terça-feira, março 20, 2007

Homenageando a poesia

Bouguereau

Relembro aquela noite

em que chegaste de mansinho.

Espectro ou segredo

transformando as letras

em acordes de silêncio.

Pela janela entreaberta

chegaram

cânticos de perdidas sereias

que ficaram suspensos

nos breves fios da cortina.

Disseste ser poema

e eu fiz-me instrumento

da tua rima.


A Torre dos Amores

Mulher sentada na manhã olhando o mar de véus nupciais.
Ali a Torre dos Amores recortada no céu anil dos ventos,escutando vozes de antão - gemidos impossíveis e fluídos de seres voláteis à deriva para além do oceano.
No fundo do mar,há tesouros e almas guardadas em arcas de marfim.No fundo do mar há jardins e há flores e pedaços de sonhos roubados às sereias.
Dedos longos e finos percorrem o aveludado areal na procura de um resto de quimera. Uma noite de Verão, talvez.
Espaço vazio do seu fato de linho branco.
A mulher levanta-se. Sobre o rochedo espelham-se pedaços de estrelas e uma concha solitária chorando a sua pérola
Praia de Santa Cruz

terça-feira, outubro 10, 2006

Nous deux


Comme des jumeaux.
Deux signes de feu.
Ta peau sur ma peau.
Je te veux! Je te veux!
Deux lampes allumées.
Mon prince, conte de fées.
Je t'aime. Je t'aimerai.
À jamais! À jamais!

sexta-feira, outubro 06, 2006

Lumière

Derrière ton regard,
il ya des promesses de lumière.

J'embrasse tes paupières fragiles.

Uniquement pour ne pas déranger
les petits anges étincelants,
qui dorment en ton âme.

quarta-feira, setembro 27, 2006

A árvore e os homens


Existe uma árvore verde no parque, que se distingue de todas as outras.Alta. Forte. Imponente.
Solitária.

Enquanto as outras árvores, mais pequenas e franzinas, se agrupam, bem juntinhas umas às outras, esta grande árvore isola-se. Orgulhosa, no meio do parque.Intocável. Distante.
Penso no muito que as árvores se assemelham aos homens.

sábado, setembro 09, 2006

terça-feira, maio 30, 2006

Uma prendinha...



Os Amigos
estão sempre connosco
como se fossem pequenos anjos da guarda.
.
Os Amigos
choram as nossas tristezas
e cantam as nossas alegrias.
.
Os Amigos
ainda que ausentes
estão sempre presentes
no nosso coração.
.
É tão bom ter o Amor e a Amizade dos nossos Amigos.

segunda-feira, maio 29, 2006

domingo, maio 28, 2006

Danças e ondas

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Fotocolagem canela-e-jasmim com
fotos do Festival de Dança de cannes 2003
e foto extraida de www.photobucket.com
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Toda a Noite
o teu Mar banhou a minha Ilha.
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Monções de Lua Cheia dançando Serpentes
na Ondulação urgente do Desejo.
.
.
Acordámos
envoltos no Abraço da Paixão
e foi Manhã de Maré cheia!

terça-feira, maio 23, 2006

Soneto - Aves

imagem Photomat

Beijam-se os pombos amiúde,

nos postes,nos ramos, nos beirais

e, vendo-os nessa terna atitude,

invejo-lhes os enlevos tão leais.

Cantam rouxinóis o seu prélude,

promessas de amor sempre fatais,

igualam a Chopin em beatitude,

as românticas melodias dos pardais.

Preferidos filhos da Natureza,

na cor, na graça e na beleza,

parecem reunir a perfeição.

E todavia são como tu e eu,

pequenas almas voando lá no céu,

enquanto as penas se arrastam pelo chão.

canela-e-jasmim

sexta-feira, maio 19, 2006

Sempre a escrever o mesmo


Imagem: Drawing Hands de M. C. Escher
Olho para estas minhas mãos pequenas;
a avó pegava nelas e dizia,
que mãos tão pequeninas, à vista das minhas grandes manápulas...
São estas mãos já gastas
de sempre escrever o mesmo,
de sempre desenhar o mesmo,
de sempre pintar o mesmo !
Mãos! Ó mãos , para que vos quero?
Sempre a desenhar o mesmo círculo,
na infindável espiral do Sonho!
Cala-te poeta !
Que as tuas mãos são loucas!
As tuas palavras, roucas !

quinta-feira, maio 18, 2006

Das Luas

Café At Night - Vincent Van Gohg
Foste tu , mon chéri, que me ensinaste
as ruas, os cafés e o céu de Lisboa.
As pontes ,que nos levam aos céus,
e os caminhos , que lá podemos traçar.
Ensinaste-me a Noite e o Luar de Agosto,
as ondas de beijos e as marés do Desejo.
As calçadas, que nos levam aos sonhos,
e as fantasias, que lá podemos realizar.
Só tu sabes, Amor!
Das Luas.
Do Mar.


segunda-feira, maio 15, 2006

Do amor. Do gostar.

Needlepoint Art

Gosto de ti !

E tu perguntas:

Quanto?

Amo-te !

E tu perguntas :

Quanto?

Pois quanto não sei.

Nem sei se gosto de i por tanto te amar,

se te amo por tanto gostar de ti.

Sei que é assim,

do tamanho do Mundo!

Deste tamanho todo,

vês meu amor?

Sei que és assim,

o meu almofadão doce,

ao qual me agarro,

nos momentos bons

e nos momentos tristes.

E é sempre no teu peito-concha,

que ouço o mar dos meus sonhos.

Gosto de ti.

Amo-te.

Assim.

Porque sim !


quinta-feira, maio 11, 2006

Borboletas.Homenagem a Salvador Dali

Alégorie de Soie- Salvador Dali

Que borboletas singelas,

rodopiando nas telas ,

nos céus do teu desenhar !

Parecem flores a voar,

em redor de caravelas,

de tão azuis e tão belas,

nos mares do meu versejar !

Fosses tu,ainda que um pouco,

a alma do meu cantar,

seria o poema louco,

e eu borboleta a voar !


quarta-feira, maio 10, 2006

Metáforas de anil

Blue Angel in Needlepoint Art

Nas horas inquietas

em que te invoco

espero sempre

ver-te chegar

com teus passos de veludo azul

fazendo brotar gipsófilas

das pedras do meu caminho.

Falo-te

através do rosário

das minhas perdidas pérolas

metáforas de anil

que me enfeitam o colo.

Asas secretas

as tuas.

Minha

a eterna oração.


sábado, maio 06, 2006

Dos meus pensamentos...



Ser mãe de três filhos
não fez de mim
um ser extraordinário,
mas fez de mim um SER,
mãe de três filhos extrordinários.

Para a minha mãe,
serei sempre pequenina,
mesmo nos dias em que a sinto mais fragilizada e lhe chamo
"minha menina".

quinta-feira, maio 04, 2006

Do teu papel


Gosto de papel.
Gosto!
Gosto do cheiro do papel.
Das cores do papel.
Das texturas do papel.
Fotografias.
Postais.
Álbuns.
Blocos de notas.
Agendas.
Gosto!
Gosto de papel.
Cartas.
Cartões.
Cartolinas.
Cadernos e cadernetas.
Gosto!
Gosto de papel.
Do papel dos presentes.
Do papel dos livros.
Gosto!
E gosto tanto, mas tanto tanto tanto,
do teu papel na minha vida!