
Deixar que o tempo se recolha
entre as velhas paredes de pedra e cal
e permanecer no silêncio
apenas ouvindo a respiração da chuva.
E se houver vozes,
que importam as vozes ?
E se houver risos,
que importam os risos?
Sob a pele da terra
agitam-se correntes secretas de rios
como mãos ansiosas que se buscam .
Sob a pele da terra
a chuva transforma-se em metáforas de anil .
E se houver gente,
que importa a gente?
E se houver gritos,
que importam os gritos?
Há que deixar que tudo permaneça no silêncio;
que o gato se aquiete no tapete,
que o caldo arrefeça sobre a mesa,
que os copos se derramem,
que as chamas se desvaneçam na fogueira...
Pois esta é a hora das primeiras chuvas,
a hora sagrada entre todas as horas sagradas!
Pois esta é a hora das primeiras águas,
o momento alfa, o instante mágico!
Sob a pele da terra
renasce a emoção.
entre as velhas paredes de pedra e cal
e permanecer no silêncio
apenas ouvindo a respiração da chuva.
E se houver vozes,
que importam as vozes ?
E se houver risos,
que importam os risos?
Sob a pele da terra
agitam-se correntes secretas de rios
como mãos ansiosas que se buscam .
Sob a pele da terra
a chuva transforma-se em metáforas de anil .
E se houver gente,
que importa a gente?
E se houver gritos,
que importam os gritos?
Há que deixar que tudo permaneça no silêncio;
que o gato se aquiete no tapete,
que o caldo arrefeça sobre a mesa,
que os copos se derramem,
que as chamas se desvaneçam na fogueira...
Pois esta é a hora das primeiras chuvas,
a hora sagrada entre todas as horas sagradas!
Pois esta é a hora das primeiras águas,
o momento alfa, o instante mágico!
Sob a pele da terra
renasce a emoção.
13 comentários:
Desejo-vos a todos uma boa semana, com a benção das águas!
Clotilde
É um poema majestático, solene, que silencia, a despeito de apelar para o silêncio! E porque será?!! Porque são águas profundas da terra e do nosso ser que aspiram olhar pelas janelas da alma e estender os braços e sentir na pele as lágrimas, o suor, as pérolas, do céu! Calemo-nos. Eu calo-me. Eu estou quieto. Eu ouço. Eu estou tranquilo. E nada mais me interessa a não ser cheirar o cheiro da terra, sentir o que ela sente, olhar para o seu olhsr de donzela satisfeita, e então sou como a terra, sou a terra , sou a chuva, sou eu, tão longe dos ruídos, dos objectos sem alma, das palavras ocas. Chove, recolhe-te alma, serenamente te sentes escutada, agora que os ventos zumbem, o mar assobia, as noites são maiores, o temppo como que engorda, e uma criança vai ouvindo, vai escutando, vai abrindo os olhos, vai percebendo o mistério...O que nos trazes chuva! Que lindo lençol bordado de serenidade e de sapiência!
Boa noite Clo. Bom Outono. Tudo de bom para ti e para o teu blogue...
Poema mais bonito.
Deixar que as aguas façam renascer os frutos da terra e que a vida se renove.
beijos
Edu,
Amigo e grande poeta! Que maravilhoso comentário! Quanto a mim, superaste o meu poema.
Obrigada pelo modo como enriqueces este meu/nosso espaço de Amizade, Poesia e Partilha!
Beijinhos e Bom Outono para ti também.
Clo
Angela, esse é um dos grandes e insondáveis mistérios.
Bem hajas, querida!
Beijinhos ,
Clo
Olá Clotilde:
É sempre uma delícia ler os teus textos. Fantásticos como sempre
E este da chuva diz-me muito
Obrigado
João P.
Um poema, como sabes, logo que é publicado, deixa de ser do poeta para ser de toda a gente.
Assim, se gostas deste, leva-o daqui e faz dele o que melhor te aprouver.
Um abraço, João.
Clo
Sempre belo seus poemas...
Querida, tem selo p vc em meu blog SPA! Vários! Você escolhe, se quiser...
Bênçãos!
*
sem respiração fiquei,
ao ler-te,
,
brisas serenas, deixo,
,
*
Que sublime poema.
As águas são sempre renovadoras e sempre fazem algo renascer dentro de nós, mormente as mulheres e seus segredos guardados à sete chaves no âmago d´alma.
Que Deus a abençoe por sermos merecedores de compartilhar o dom que possui de encantar corações com suas belas poesias.
Beijos.
Reyel,
Poeta,
Regina,
Muito obrigada pelas palavras e pela generosidade.
E o meu grande obrigada também a todos quantos passam e me lêem no silêncio.
Bem hajam!
Um abraço longo a cada um de vocês.
Clo
"...permanecer no silêncio
apenas ouvindo a respiração da chuva."
O cheiro da terra molhada, a chuva a alagar-nos por dentro é um instante mágico.
Entranharam-se-me na pele as "Primeiras chuvas",amei demais este poema,querida Clo.
Beijinhos.
Parabéns pelo blog e por este lindo poema!
Bom camimho...
Cravos
http://escritornashorasvagas.arteblog.com.br/
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