domingo, setembro 13, 2009

Soneto - Outono


Vazia agora está a cadeira do Poeta,
douradas folhas já a cobrem no terraço,
e docemente chora a chuva nesse espaço
onde a Poesia tinha Musa predilecta.

Num ramo fino, ali canta uma avezinha,
no desatino, a melodia sobe aos céus,
final do Verão e já Outono se avizinha,
mas inda há esperança no piar dos cantos seus.

E se o Poeta deixou versos espalhados,
a pobrezinha recolhe-os com mil cuidados,
pelas margens do ribeiro suave e terno.

No seu bico guarda o mais doce refrão,
que a alimenta e lhe aquece o coração
como se fora um lírio sob a terra no Inverno.


6 comentários:

Eduardo Aleixo disse...

Só que...
...cada folha que cai sobre a cadeira vazia do poeta,
transportada pela canção suave do vento,
E iluminada por uma luz doce, meiga e terna
Na luz algodoada do poente,
faz entrar no bico do passarinho
uma nova e diferente canção,
que lhe traz a suavidade
tão necessária ao coração.

angela disse...

Muito suave e tristonho como o outono.
beijos

Paula Raposo disse...

Bonito poema!! Beijos.

Clotilde S. disse...

Eduardo,

E de novo, de um soneto fizeste poesia.

Beijinho e obrigada pela visita.

Clo

Clotilde S. disse...

Angela,

Quando há uma réstea de esperança, nada é assim tão tristinho.

Beijinho,

Clo

Clotilde S. disse...

E beijos para ti, Paula.